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Com um rosto e outra fala
O resultado foi apresentado na aula seguinte, com grandes surpresas para eles. Temia que alguém se desestruturasse com aquilo mas todos levaram muito na boa. Resolvi então programar a primeira performance outdoor, no cafezinho para semana que vem. Eles custaram um pouco para entender o formato: um texto como aquele das máscaras, só que mais elaborado e uma música com letra em primeira pessoa, formando ambos duas faixas de um CD ou Mp3. O material é entregue ao seu outro – que não sabe o que vai ouvir – e este tem de sair repetindo/falando para todo mundo o que ouve. Beneficio-me da idéia do “human browser” da Christina McPhee e uma passagem do Lanny Quarles em que ele compara cada um de nós a uma interface, cada um de nós sendo um browser do mundo sensorial. Essa será a atividade do dia 3 de maio, meu aniversário.
No dia 3 de maio fizemos a atividade que fora programada: uma performance do grupo todo realizada na área da cantina, como cds preparados na sua maior parte pelos alunos contendo: a) um texto preparado para o outro aluno – nessa parte esperava-se que os textos melhorassem. De fato, por um lado, foi superada aquela tendência ao texto sobre a “pessoinha” (embora alguns ainda tenham insistido na fórmula). Outros, porém , buscaram textos "poéticos". Ficou claro que é necessária uma injeção de qualidade no repertório textual. Terei de voltar para isso depois, com o fim de “despersonalizar” textos demasiadamente “fortes” no mau sentido b) Uma canção com letra em primeira pessoa.
As canções, em geral, revelaram ótimas escolhas. Mas eles sempre ficavam com vontade de cantar. O uso de textos inusitados como receitas, bulas de remédio etc. sugere coisas interessantes.
Escrito por agra às 16h17
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Human Browser
http://www.iterature.com/human-browser/en/
Classificação: 
Site do Human Browser
Categoria: Link
Escrito por agra às 16h16
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preparação para o "Human Browser"
O resultado foi apresentado na aula seguinte, com grandes surpresas para eles. Temia que alguém se desestruturasse com aquilo mas todos levaram muito na boa. Resolvi então programar a primeira performance outdoor, no cafezinho para semana que vem. Eles custaram um pouco para entender o formato: um texto como aquele das máscaras, só que mais elaborado e uma música com letra em primeira pessoa, formando ambos duas faixas de um CD ou Mp3. O material é entregue ao seu outro – que não sabe o que vai ouvir – e este tem de sair repetindo/falando para todo mundo o que ouve. Beneficio-me da idéia do “human browser” da Christina McPhee (http://www.iterature.com/human-browser/en/)e uma passagem do Lanny Quarles em que ele compara cada um de nós a uma interface, cada um de nós sendo um browser do mundo sensorial. Essa será a atividade do dia 3 de maio, meu aniversário.
Escrito por agra às 16h15
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Textos e Crazy Talk
Quase todos atrasaram muito esse envio. A idéia foi criar personas que de algum modo desafiassem a subjetividade consolidada que eles continuavam a investir (eu sou assim, eu sou assado) e fizessem-nos desistir dessa identidade cabal como caricatura. Para isso eu usei o programa Crazy Talk no qual eu digitalizava rostos e lhes punha as falas na boca usando o “falador”, outro programa de sintetização de voz. A entrega dos textos demorou muito (quase todos chegaram em cima da hora) e algumas “personas” ficaram sem falas. As que chegaram eram ruins em sua maior parte. Em dois casos, apenas, um aluno escolheu para o outro uma fala poética, que não remetia a uma personalidade ou ao que aquela pessoa imaginava que fosse a personalidade do outro.
Escrito por agra às 16h14
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Trovoada e Danças
Resolvi retornar às personas mas antes, na aula seguinte, tentei passar alguns vídeos. Sim, na aula da Lygia o vídeo do Eduardo Clark, que deveria passar, não passou. Na aula seguinte eu consegui que rolasse. Mas o outro, que eu queria, o Trovoada , do Carlos Nader, também empacou. Eu consegui, então, passar o da Lygia e parti para uma nova estratégia que contemplasse tanto a subjetividade quanto o território. Dividi o chão em quadrados iguais de 1 por 1 e coloquei cada um em um desses espaços. De vez em quando eles trocavam as posições. Eles tinham que dançar dentro desses espaços, sem invadir o dos outros, e tentando fugir dos estereótipos de dança que lhes assolam. Notei que a seqüência de músicas proposta (eu ia colocando uma por uma) atingiu seu ápice na faixa de 16 minutos do Daminhão Experiênça, o que comprovava totalmente a estória do “borderline”. O mais resistente à performance, à assim chamada invasão do interativo na performance, o Carlos, foi o melhor, pegando a rebarba de um vídeo que acabou passando por acaso (o Geraldo Anhaia enchendo a cara) e construindo uma persona da embriaguez, constante em todas as músicas mas muito intensa na do Daminhão. Me lembro de mudar a estratégia, a certa altura, sugerindo que eles dançavam para uma platéia uma dança que seria a representação deles dançando e assistindo um show em um palco. O palco seria a platéia que os assistia. Na maior parte do tempo se perdiam na dancinha rock de sempre. Pedi que anotassem as passagens que levantei do “Caosmose”, que pretendia comentar mas ainda não o fiz. Me lembro também de pedir que me enviassem textos que imaginavam na boca daquelas personas, as mesmas que rolaram nos primeiros dias... Eles mandariam os textos por e-mail.
Escrito por agra às 16h13
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Mais Lygia e corpo coletivo
Na aula seguinte deveria ser a da visita da Naira mas a mesma cancelou e eu estava num dia especialmente ruim. Tivemos uma aula mediana, só de discussão dos textos. Pedi que, para o encontro seguinte, eles trouxessem um saco plástico transparente, uma pedra (seixo de rio), um retalho de pano em formato retangular ou equivalente e uma tesoura. Não sabia o que faria exatamente mas sabia que teria de fazer algo porque provavelmente a Naira, que estava com performances no Sesc Pompéia, não poderia comparecer ali para me ajudar. Preparei a aula com textos tirados do catálogo da Lygia – sobretudo os que falavam sobre os trabalhos da pedra e do saco de ar e o Caminhando – porque, no fundo, eu tinha pensado primeiro em trabalhar com a estruturação do self mas percebi que ali o objetivo era outro: era necessária a criação do corpo coletivo, essa era a fase importante para esse grupo (acho que para todos os grupos com que se trabalha em performance). Pensei então na relaxação produzida com a finalidade gerar o corpo coletivo, a relaxação em “rosácea” como bem me lembrou a Naira. Montei essa estrutura, na qual primeiro as pessoas acalmavam-se, ganhavam uma respiração mais compassada. Passavam a pedra pelo corpo, sentiam-na, percebiam-na. Depois enchiam os sacos de ar, faziam o trabalho de equilíbrio da pedra no saco, entendiam – poucos entenderam – o saco e a pedra como, juntos, formando um ser vivo que respira. Tudo isso eu ia acompanhando com textos da própria Lygia. Depois eles se deitavam e abrigavam o objeto na barriga, acalentavam. Eu então promovia uma respiração forte em seus ouvidos, nas suas proximidades. Alguns foram bem fundo, custaram um pouco a voltar depois. Eu precisava deles ainda para fazer uma espécie de cruzamento entre o parangolé e o “caminhando”. Alguns tinham trazido panos que não podiam cortar, outros não conseguiam fazer a fita de Moebius. Os resultados ficaram pequenos, eu pensava na maquete de um parangolé. Mas eles foram juntando as partes e vestiram um dos alunos, um homem escancaradamente feminino que se prestou de bom grado à condição de cabide desse objeto. A aula terminou aí mas eu deixei que eles usassem a coisa como lhes agradava mais.
Escrito por agra às 16h13
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Mapas
Na aula, pedi que buscassem, nos mapas, um traçado que lhes parecesse interessante e o decalcassem. Ao mesmo tempo, recitava trechos do texto do Conde, ressaltava passagens, assinalava pressupostos – principalmente nos trechos em que ele trabalha com a questão do território, articulando mapas, plantas arquitetônicas e as partituras dos compositores modernos. Quando eles chegaram a alguns desenhos, eu lhes passava fitas elásticas e lhes pedia que constuíssem esses desenhos no espaço. Era confuso, eles não conseguiam muito pensar nos acidentes geográficos, mas foram construindo percursos. Inevitavelmente, as fitas atavam uns aos outros em cadeias cada vez mais complexas. Aos poucos, essa trama elástica ia ficando mais interessante e eu sugeria que trocassem os desenhos de mapa pelo próprio desenho que ali se articulava, com os e os elásticos. Eu sabia que o que estávamos fazendo era a mandala da Lygia que ela mesma fez com um grupo de pessoas na Europa. Eles se afobavam muito, ficavam muito excitados, eu comandava um esforço de acalmar-se e experimentar a coisa pelo prazer dela. Foi o que aconteceu. Daí por diante os movimentos ficavam suaves, os mapas se distanciavam, e construía-se um outro território, imaginário, surgido de territórios reais, mas um território de experimentos e movimentos. Fui pedindo para que expandissem essa teia e, aos poucos, fossem colocando outros objetos nela (isso não foi propriamente comandado, eles iam descobrindo) até que a teia ficou lá, sozinha, sem eles e eles puderam contempla-la. Conversamos a respeito
Escrito por agra às 16h12
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Lygia Clark
Na aula seguinte deveríamos ter a visita da Naira para que adensássemos a questão em Lygia Clark, caminho que eu desde o início apontei. Mas havia problemas de disponibilidade. Simultaneamente, ao final do mês de março, a exposição da Clark estava acabando na Pinacoteca e surgiu a oportunidade de a visitarmos numa terça de manhã. Os meninos foram, diligentemente. O que me impressiona é como são dedicados e respeitosos mesmo quando não gostam do trabalho (alguns não gostam mesmo da Lygia, a pesar daquela exposição fantástica). No dia seguinte, a aula foi de comentário da exposição e de discussão, ainda do texto do Guattari. Eu já sugerira a remissão ao primeiro capítulo do livro (Caosmose) e aproveitei também para engatar o tema do território, articulando um texto do Yago Conde, arquiteto catalão, morto muito jovem. Um texto intitulado “Indeterminação”, parte de sua tese de doutorado. Propus um exercício para a semana seguinte, pedindo que eles trouxessem mapas. Eles trouxeram, mas alguns se atrasam e improvisam coisas de última hora, o que torna tudo um pouco mais difícil.
Escrito por agra às 16h11
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aula 1
Comecei com a idéia de máscara – persona, palavra fundamental na performance – para discutir a subjetividade. Os alunos – e eu mesmo – após o primeiro dia de aula, recebemos a tarefa de entregar para mim fotos 3x4. Eu as converti em máscaras que, no segundo dia, eram colocadas nos rostos dos colegas. Se, por exemplo, eu era o Zé, eu vestia a máscara do João, o João da Maria e assim por diante. As máscaras foram impressas em cartolina a partir de scanners das fotos de todos. Formei grupos de dois em que cada um ficava com a cara do outro e falava o que achava que o outro diria. De algum modo vc. via o que o outro imaginava de vc., qual era a fantasmática do outro a seu respeito, enquanto vc. mesmo tentava dizer a sua em relação ao outro. Isto era obviamente um estratagema sobre aqueles objetos relacionais da Lygia Clark. Ao mesmo tempo tínhamos a leitura do “Novo paradigma estético” de Guattari. Na aula seguinte ficamos nessa leitura, mas o que saía dela e se engatava com a experiência deles parecia sempre ser muito mais produtivo.
Escrito por agra às 16h09
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Histórico
A workshop de performance 2, ministrada por mim em 2006 seria, em princípio, a continuação da Workshop de Performance 1 que conduzi no segundo semestre de 2005 e que me deu a base para pensa-la como protótipo do que, na reforma do Artes do Corpo, vai se chamar Genealogia da Performance. O propósito dessa nova matéria –seria melhor dizer oficina ou laboratório – é tentar construir um percurso que atravesse os principais momentos – os "punti luminosi” – da performance e com isso entender, na prática, como se estruturou essa linguagem. O programa alternava, a cada dia, um dos dois tipos de aula: no primeiro, um seminário de “mergulho”, como eu chamava. Eu levava tudo o que podia sobre cada um dos temas e durante o tempo da aula se fazia um passeio no tema. Na aula seguinte, um grupo escolhido fazia uma performance inspirado neste tema. No final, a idéia – que não funcionou muito bem – era montar um story board com toda a seqüência. Digo que não foi muito bem porque muito embora a metáfora escolhida fosse boa – a planificação de um apartamento, uma espécie de planta baixa em tamanho real, na qual, em cada cômodo, acontecia uma coisa – o resultado foi caótico e desencontrado. Na Work 2 venho tentando não só resolver esse “acabamento” mas, ao mesmo tempo, me deparei com outra questão interessante: originalmente essa era uma matéria voltada para a discussão de gênero e performance. Como para mim isto seria difícil, desdobrei o tema em quatro partes – subjetividade e alteridade, território, corpo estendido e corpo coletivo. Eu diria que ainda não consegui terminar os dois primeiros itens mas foi excepcional a articulação entre ambos.
Escrito por agra às 16h07
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Este é o começo do blogagra, no qual vou relatar o cotidiano da disciplina Workshop de performance 2, ministrada por mim na Graduação em Comunicação e Artes do Corpo da PUC-SP. Minhas intenções: a) fornecer subsídios para a construção de uma pedagogia da performance b) formar um histórico de nossa prática pedagógica no primeiro curso formal de graduação em performance do Brasil.
Escrito por agra às 16h01
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