 |
|
|
O QUE É
Este é o blogagra (que o UOL insiste em chamar de Agrablog) no qual relato o cotidiano da disciplina Workshop de performance 2, ministrada por mim na Graduação em Comunicação e Artes do Corpo da PUC-SP. Minhas intenções: a) fornecer subsídios para a construção de uma pedagogia da performance b) formar um histórico de nossa prática pedagógica no primeiro curso formal de graduação em performance do Brasil.
Escrito por agra às 10h25
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
avaliações finais - terceiro dia
Ana Júlia (Mucta), Luna e Juliana No início, a primeira imagem pareceu-me imediatamente repetir aquela do exercício com a câmera. Isso me animou porque tinha até mesmo a inclinação da madeira sob o peso dos pés, enfim, um clima experimental. A criação de uma continuidade “ilusionista” entre o dentro e o fora quebrou um pouco este clima. Fui levado a ver duas personas que se desdobravam da primeira porque: - era ela e só ela que entrava na sala, pegava o guarda-chuva e saía e depois, acompanhada pela câmera ia até o vestiário - dela, de sua figura, “saíam” as outras por um efeito de fusão - ao fim da montagem proposta, as duas refundiam-se novamente. Claro que quando se dá a volta dos corpos essa “fusão” é desfeita. Mas é inevitável que se veja uma simetria entre os corpos/figurinos da Luna e da Juliana em comparação ao da Ana Júlia. Há oposições do tipo vestida/seminua, vestido/saia, guarda-chuvas claros e escuros. E mesmo sob os chuveiros, é visível, na montagem paralela, que quem se molha primeiro é a personagem “vestida”. Alguns efeitos de vídeo e das lanternas com vídeo claramente foram sendo descobertos no momento. Ficaram, assim dois momentos distintos, ambos com trilhas que não foram bem escolhidas, a meu ver. E momentos que não conversavam. O trajeto do lado de fora ao de dentro perdeu presença na cena. Mas é bem clara, como disse, a questão do ocultar/revelar, derivada dos tópicos do curso mas não ligada a ele diretamente. Isso de modo algum é um problema em si. Mas ficou no ar uma certa disjunção entre as partes da cena. Isadora Na realidade o que esse trabalho tem de mais rico é o seu imaginário: a coleção de imagens, principalmente as filmadas. Procura-se o labirinto para ilustrar a caminhada. Filmar as próprias passadas já foi muito feito mas aqui a alteração de pontos de vista, o olhar que perscruta os espaços é bem interessante. Sei que o labirinto é de açúcar para remeter a todo o repertório de formas das lojas e lugares do percurso filmado. Mas ainda assim outros materiais – como o isopor – poderiam induzir a idéia. A finalização, como sempre, é difícil. Talvez a performance pra valer tenha acontecido no vídeo. A indução à participação de todos, por outro lado, é muito legal. Não gosto é de primeiro haver uma cena e depois todo mundo ir entrando (como os “macacos” do início de 2001)
Escrito por agra às 10h25
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
avaliações finais - segundo dia
Carlos Neste trabalho está a clássica articulação performance/ritual. Novamente foi impecável a relação com o curso, sugerindo um caminho de si para o grupo e vice-versa. A delimitação do espaço e a trilha seguiram um timing perfeito. O texto bom embora um pouco demasiado, sugere uma discussão interessante. Movimentos de nascimento/renascimento, de coroação/guerreiro e da figura feminina – personas/orixás. Como o próprio aluno já comentara, as projeções ficariam mais interessantes com mais projetores. Há ainda a questão dos espaços sagrados e profanos. E a “escolha pela processualidade”, conexão total com o curso. Tainá Dois ricos aspectos a dualidade corpo/não-corpo, corpo projetado/artificial e corpo “natural”/presente. A troca que daí resulta é muito rica. A tela plana e a não-plana (corpo embrulhado). O desenho, porém foi malogrado e, como a própria aluna admitiu, faltou uma estratégia para o “desfecho” (que, em si, não precisaria existir). É legal que esse “erro” apareça para que essa questão seja discutida. Um corpo “polifônico” – na animação – “dialogou” com um corpo território e membrana na performance ao vivo. Tudo ainda está em projeto e não tem muito acabamento. Marília A construção do número da identidade a partir de material frágil, “volátil”, recortado de revistas é uma senhora idéia. Constrói e produz o espaço. No improviso, saiu-se muito bem ao incorporar o outro. Performance no sentido mais essencial da palavra, sem encenação embora com texto. Único aspecto ruim: a frontalidade mas que é dissolvido. O texto é coerente, evoca uma doida numerologia, muito interessante. A noção de “site-specific” – tirar proveito de uma sala com ventiladores – está presente também.
Escrito por agra às 10h24
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
avaliações finais - primeiro dia
Aí vai o post mais difícil, pois na hora de avaliar é que são elas. Colocando dessa forma, estou tentando, ao máximo, dar um sentido quanto menos possível de avaliação no sentido tradicional. E tanto mais possível do mesmo espírito que fez do blog inteiro uma avaliação. Uma subjetividade privilegiada socialmente tentando entender o corpo coletivo que se constrói junto com o seu próprio. Flávia Este trabalho, como outros, está apontando para a idéia de nutrição. É possível perceber, insinuando-se aqui também, a imagem da Lygia Clark. A ambiência foi perfeita – havia isomorfismos até impensados (toalha de mesa/janela). A questão grupo/individuo e som e silêncio. Separar a casca e jogar fora a “essência”. É inteligente como concepção e como visualidade. Teve sorte e boa intuição. Até a luz do dia ajudou. No final, o foco principal pareceu remeter a uma possível imagem da relação individual/coletivo. Diene Novamente a relação indivíduo/grupo, dessa vez através da interdição. Um espaço intermediário de dejetos orgânicos. Do ponto de vista da instalação, faltou cobrir completamente o chão. A música foi usada de maneira eficiente e contribuiu muito. Mas a interdição não funcionou, a pergunta ficou perdida. A execução dos letreiros ficou pobre, não produzia impacto. Os movimentos posteriores que regem a enumeração dos ingredientes não me pareceram bem resolvidos. Gosto, por outro lado, da dimensão de risco (alguém poderia atirar as porcarias sobre ela). É mais instalação que performance, mas capta dessa o perigo e a vivência de liminaridade. Sérgio A princípio me incomodou a frontalidade. A progressiva explicitação da intimidade passa, a partir de certo ponto, à previsibilidade. Mas o bom é que o aluno sempre trai essa expectativa no momento seguinte. O risco de sair ao exterior, bem calculado, a distribuição do alimento e, sobretudo, as frases iniciadas e não terminadas. Este último aspecto é o que mais desdobra temas debatidos no curso. O recurso à cotididanidade é muito interessante. Há novamente a idéia de nutrição e as bexigas, as simbologias sexuais, são muito interessantes. A flutuação.
Escrito por agra às 10h23
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
 |
| [ ver mensagens anteriores ] |
|
 |


|
 |